Saneamento em Marília: Décadas de Abandono e o Desafio da Reconstrução

Saneamento em Marília: Décadas de Abandono e o Desafio da Reconstrução

Durante décadas, os sistemas de saneamento de Marília foram deixados em segundo plano por gestões sucessivas, acumulando falhas estruturais, gestão ineficiente e falta de investimentos. O resultado desse histórico de negligência reflete-se hoje, em um cenário alarmante: redes frágeis, instalações ultrapassadas, perdas hídricas e problemas com esgoto, comprometendo diretamente a saúde pública e a qualidade de vida dos marilienses. 

As Estações de Tratamento de Água (ETAs) Peixe e Cascata, operando há mais de 50 anos sem reformas significativas, exemplificam esse abandono. Há muito tempo, estudos técnicos já haviam identificado fissuras e trincas em estruturas essenciais. A falta de ações corretivas consistentes colocou em risco a continuidade e a qualidade do fornecimento de água à cidade. 

Além das falhas nessas estações, as redes de distribuição também refletem o descaso: tubulações antigas, muitas ainda em cimento amianto — material hoje considerado obsoleto — sofrem rompimentos frequentes, causando desperdício e interrupções no abastecimento. Marília apresenta perdas de água superiores a 50% do volume produzido, um número muito acima de qualquer padrão aceitável. 

No esgotamento sanitário, os dados são igualmente preocupantes. Marília coleta cerca de 84% do esgoto gerado, mas trata efetivamente apenas 68%. Isso denota que os efluentes sanitários são despejados no meio ambiente sem qualquer tipo de tratamento, contaminando solo e rios, ampliando os riscos de doenças. 

Esse cenário já havia sido descrito com clareza no Termo de Referência da Concorrência Pública n° 013/2022 que promoveu a concessão dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário, que apontava a baixa capacidade de investimento do então DAEM – Departamento de Água e Esgoto de Marília e a deterioração generalizada da infraestrutura. O documento alertava para a insuficiência da produção dos mananciais — em risco de colapso —; o esgotamento da capacidade dos poços rasos; a necessidade de melhorias nas bombas dos poços profundos e a ausência de setorização na distribuição e a precariedade das redes de coleta de esgoto. Também eram citadas obras inacabadas, como estações elevatórias e emissários que comprometia todo o ciclo do saneamento. 

A atuação da RIC Ambiental: o início de uma reconstrução necessária 

Em setembro de 2024, foi firmado o Contrato de Concessão dos serviços de água e esgoto das áreas urbanas de Marília entre Prefeitura e RIC Ambiental, com o objetivo de reverter esse quadro alarmante. O contrato estabelece metas de curto, médio e longo prazos para a universalização dos serviços, combate às perdas de água e modernização completa das estruturas operacionais. No entanto, a mudança do cenário de um sistema abandonado por gestões passadas requer tempo, e as dificuldades enfrentadas nesse início de transição evidenciam a gravidade da herança recebida. 

Mesmo diante de desafios complexos, a RIC Ambiental rapidamente desenvolveu ações estruturantes. Novos poços profundos estão sendo perfurados para iniciar a operação ainda este ano, com obras já em fase avançada e as Estações de Tratamento de Água (ETAs) estão passando por processos de modernização. Essas medidas visam ampliar a capacidade de fornecimento, reduzir os riscos de desabastecimento e garantir a segurança hídrica da população. 

Apesar dos primeiros avanços, a concessão não está isenta de resistências. Parte da população ainda demonstra desconfiança quanto à mudança no modelo de gestão, e o próprio processo licitatório foi alvo de questionamentos. A RIC Ambiental, no entanto, mantém sua postura firme em defesa da transparência, da excelência operacional e do compromisso com a população mariliense. 

É importante destacar que a reconstrução do sistema de saneamento é um processo gradual, que exige investimentos robustos, planejamento técnico detalhado e a atuação de uma equipe altamente capacitada. Embora a jornada até as melhorias seja longa e desafiadora, a RIC Ambiental, com sua expertise técnica, já está implementando ações concretas. Não há soluções instantâneas para décadas de negligência, mas, com esse esforço, Marília finalmente dá os primeiros passos rumo a um sistema de saneamento moderno, eficiente e à altura da dignidade de seus cidadãos. 

Décadas de abandono no Sistema de Saneamento em Marília
Décadas de abandono no Sistema de Saneamento em Marília
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